• Jesse Lira

O ano de 2020


No dia 31 de Dezembro de 2019 eu estava super ansiosa para o ano que iria começar. Seria um ano de grandes mudanças na minha vida. Eu finalmente começaria o curso que tanto queria e tiraria aqueles planos do papel que há muito estavam esquecidos. Seria um ano de grandes recomeços. E lá estava mais uma vez o céu sendo iluminado pelos fogos, todas aquelas cores e assim como eu, o mundo inteiro a imaginar que o simples fato de o passar de um mero minuto para o outro, pode mudar uma vida.

Não sei se por falta de crença, mas nunca acreditei de verdade no "Muita saúde, paz, alegria, prosperidade e amor". Você faz planos todo ano e nunca realiza, pula sete ondas, come lentilha para dar sorte, e até combina a cor da roupa na esperança de que talvez consiga um grande amor ou ganhe na mega-sena, mesmo que nunca jogue. Então, qual o sentido de fazer tudo isso?

Todo aquele alvoroço de "Feliz Ano Novo" passou e veio o carnaval. Ah, seu lindo! Com toda sua pompa, veio iluminando e colorindo a cidade, sacudindo de alegria mais uma vez as ladeiras de Olinda. Vi mais uma vez as pessoas colocarem suas fantasias e se renderem ao frevo. E tudo estava indo perfeitamente bem. O ano perfeito. E de repente… Nada! Tudo parou! E quando falo isso é parar MESMO.

Estava aérea aos acontecimentos no mundo, e quando escutei pela primeira vez: "morreu a primeira pessoa vítima de um novo vírus", isso já fazia muito tempo que tinha acontecido. Foi um homem de 61 anos e no dia 2 de janeiro ele veio a falecer. Na época não dei tanta importância. Só tomei ciência do que realmente estava acontecendo quando a primeira morte no Brasil foi confirmada, em 12 de março.

Um dia depois foi o aniversário de minha mãe: 13 de março! Lembro que fizemos uma festa enorme para comemorar seus 70 anos. O sol brilhava como nunca e toda família estava reunida. Foi maravilhoso! Então, como num passe de mágica, nos vimos obrigados a ficar longe de quem mais amamos. Sem aperto de mão, sem almoços em família, sem passeio no shopping, ir ao cinema ou ir ao seu restaurante favorito. E com a distância veio o medo.

Medo do desconhecido, do invisível. E aquela morte no dia 12, me fez pensar. O que está acontecendo? O que fizemos para que isso chegasse a esse ponto? Não tenho essas respostas, e isso talvez me assuste um pouco. Porque talvez nunca venha a tê-las.

Aos trancos e barrancos fomos obrigados a aprender a viver um dia de cada vez, afinal, por mais difícil que seja aceitar, esse vírus nos mostrou que o amanhã não nos pertence. Bem diante dos nossos olhos, vimos o nosso 2020 e todos os seus planos serem interrompidos. Vimos vidas serem interrompidas.

E não acabou, está muito longe de tudo voltar a ser como era antes. Não é todo dia que nos deparamos com pandemias, mas se temos que enfrentá-la, que estejamos todos juntos.

Olá, que bom ver você por aqui!

Pernambucana, 30 anos, nostálgica de carteirinha, designer por profissão, blogueira por acaso. Louca por livros, filmes, séries (TV).

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